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Marcelo Gleiser, em seu post na NPR 13.1 chamado “Beyond The Science-Religion Debate: A Spiritual Ecology?“, propõe uma saída para o debate polarizado entre Ciência e Religião. Ele acredita que uma resposta para isso é o desenvolvimento de uma moral universal, com base no valor da vida. Dessa forma, ele acha que se poderia superar os pólos de ciência e religião e a compreensão de cada um deles sobre o valor (ou a falta de valor) da vida.
Começando pelo medo da morte, Gleiser acredita que um ser (humano) saudável não deseja a morte. Assim, com base nessa premissa, devemos reconhecer o valor de um ser vivo e proteger a vida, qualquer forma de vida, porque estamos interligados com todas as formas de vida em nosso planeta Terra. A preservação da vida torna-se, para ele, em sua “moral universal”.
Essa “moral universal” faz todos os seres vivos sagrados e unidos por uma “ecologia espiritual “, segundo o termo empregado por ele.
Embora creia que entendo suas preocupações, e também concorde que devemos pensar no nosso papel em nosso planeta e que devemos nos esforçar para encontrar uma justificativa racional que nos ajude a agir visando o bem maior da humanidade e da natureza, não posso deixar de ver em sua proposta de um certo grau de ingenuidade filosófica.
Se pensarmos apenas nas consequências práticas da idéia, podemos ter um vislumbre de como é o tema é complicado. Pensemos sobre a idéia de que “devemos agir para preservar todas as formas de vida”. Como podemos preservar a vida dos animais que se alimentam milhões de seres humanos em todo o mundo? Como preserver a vida de bois, vacas e frangos? Como fazer com todos os peixes que são consumidos todos os dias? E os ovos e demais aves, os ovinos, répteis, insetos, etc?
Será necessário que toda a humanidade se torne vegetariana? Mas, então, o que sobre as formas de vida vegetais, ou seja, e a vida das plantas? Todas as frutas, legumes e verduras? O que fazemos com a vida da alface é dos tomates?
Como podemos preservar a vida sem abalar o própria equilíbrio da natureza? Se nós a desequilibramos com o consumo, da mesma forma podemos causar estragos ao preservar todas as formas de vida, interferindo nos ciclos alimentares.
E como enfrentar a irracionalidade dos próprios seres humanos? Se a minha própria vida está ameaçada numa situação criminosa ou se a minha casa ou meu país é invadido por outros povos que estão interessados em nossas terras e posses e estão prontos para matar todos nós, devemos entregar nossas vidas ou lutar e matar para nos salvar?
Um bombeiro deve preservar a própria vida em vez de salvar a vida de alguém, ou ele ou ela deve salvar a vida da outra pessoa, oferecendo o seu próprio lugar?
Eu acho que o problema enfrentado por Gleiser é realmente enorme, filosoficamente falando. E admiro a sua coragem de fazer uma proposta em vez de ficar apenas no debate teórico. Mas eu acho que o problema é tão grande que o caminho que ele propõe é limitado a uma escolha a qual, e em minha avaliação, não é um conceito em si mesmo. É na minha opinião o mesmo problema enfrentado por Sam Harris, quando afirma que a ciência pode responder a questões morais com base em sua “escolha” do conceito de “bem estar humano”.
Não se consegue fundamentar um valor moral no sobre um fato científico, porque os fatos e os valores são diferentes tipos de conceitos, eles pertencem a diferentes dimensões conceituais.
Podemos propor “a preservação da vida” ou “bem-estar” como parâmetros para o comportamento moral, mas como “conceito” eles não são suficientes para se tornar o fundamento filosófico para uma moral universal.
“Sabedoria” é um conceito muito antigo, multimilenar.
Amigos, É com alegria que convido a todos a participarem do curso “Sabedoria da antigüidade para o presente”, que vou apresentar em São Paulo a partir do dia 26/08. Veja a descrição completa do curso, local e forma de inscrição em http://www.luizbueno.net/curso-sabedoria-antiga/. Participe! Será um prazer estarmos juntos nessa jornada. —
Em maio último, apresentei em São Paulo, em duas ocasiões, a palestra “Sabedoria da antiguidade para os nossos dias”. Foram experiências memoráveis. Ambas me proporcionaram a oportunidade de compartilhar algumas das reflexões, pesquisas e experiências que tenho acumulado nesses anos, com grupos de pessoas muito especiais que, assim como eu, estão na busca constante de mais entendimento de si mesmo e do mundo para um aperfeiçoamento pessoal. O tema da Sabedoria antiga me levou aos textos do Gênesis, no qual encontrei uma descrição da condição humana, do surgimento tanto da consciência existencial bem como da consciência moral e as consequências de ambas para nossa experiência da existência em sua ambiguidades e dificuldades intrínsecas. Também pude visitar o Tao Te Ching e descobrir sua consciência prática em relação a sua noção da natureza humana em sua dualidade ao mesmo tempo que de seu fundamento na unidade do Tao. E entremeando estes dois textos, uma série de avaliações a respeito de nossa condição contemporânea e o grande tesouro de sabedoria e auto-conhecimento que a antiguidade nos proporicona. Tive a felicidade de poder gravar estes eventos. Coloco aqui à disposição de todos o áudio da parte expositiva da segunda palestra. Espero que os ouvintes possam desfrutar um pouco que seja do clima e do ganho que tivemos juntos, eu e o grupo, nessa tão agradável tarde e noite do dia 29/05. Audio da palestra:
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